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Recuperar em casa: como preparar uma alta hospitalar em segurança – Notícia Sapo.pt

Recuperar em casa: como preparar uma alta hospitalar em segurança

Sabia que a alta hospitalar é considerada uma fase crítica da recuperação? O momento de saída do hospital é um dos períodos em que existe mais risco de erros, complicações e reinternamentos. O paciente deixa de ter uma equipa disponível 24 horas por dia e passa a depender da informação recebida, do apoio da família e da capacidade de organizar os cuidados em casa.
Receber alta não significa necessariamente que a pessoa esteja “curada”, acima de tudo significa que já não precisa de permanecer no hospital, pois o seu estado clínico está suficientemente estabilizado para continuar a recuperação em casa.

Neste artigo, a Puro Cuidado explica-lhe como preparar a alta do seu familiar ou até a sua própria, caso tenha algum internamento, operação ou cirurgia em breve.

 

Comece a planear a alta antes do dia da saída

Idealmente, o planeamento começa logo nos primeiros dias de internamento. Imagine uma pessoa internada por pneumonia. Durante a hospitalização recupera da infeção, mas perde força muscular, fica mais cansada e passa a precisar de ajuda para se levantar. Se a decisão de alta for tomada apenas na manhã em que vai para casa, pode não haver tempo para perceber se existe alguém disponível para ajudar, se é necessário andarilho ou se a medicação foi devidamente explicada. Quando o planeamento é antecipado, a equipa hospitalar consegue ajudar a identificar problemas antes de o paciente sair do hospital. É nesta fase que se deve definir quem irá assegurar os cuidados após a alta, que apoio poderá ser necessário e como garantir que a transição entre o hospital e a casa decorre sem percalços.

 

Verifique o estado de autonomia do familiar

A equipa hospitalar deve avaliar e informar da capacidade funcional do paciente, ou seja, se consegue realizar atividades da vida diária, tais como levantar-se da cama, andar alguns metros, utilizar a casa de banho, tomar banho em segurança, vestir-se, alimentar-se e tomar corretamente a medicação. Esta avaliação é fundamental porque muitas complicações acontecem quando se assume que a pessoa conseguirá fazer em casa aquilo que conseguiu fazer, com ajuda, no hospital. Por exemplo, um doente pode conseguir caminhar no internamento porque tem barras de apoio, um piso regular, iluminação adequada e profissionais por perto. Em casa, pode encontrar um corredor estreito, um tapete solto e uma casa de banho sem apoios.

 

Ajuste o ambiente da casa

Depois de uma cirurgia, de uma queda, de um AVC ou de um internamento prolongado, o risco de queda aumenta significativamente. Muitas pessoas regressam a casa com menos equilíbrio, menos força muscular e uma maior fadiga. Por essa razão, a preparação da casa é uma medida de segurança. Observe o percurso que a pessoa fará desde a entrada da casa até ao quarto e à casa de banho. Averigue se existem obstáculos, tapetes que possam escorregar, fios elétricos no chão, degraus mal sinalizados ou zonas de pouca iluminação. A casa de banho merece atenção especial, pois é um dos locais onde ocorrem mais quedas após a alta hospitalar. A instalação de barras de apoio, de tapetes antiderrapantes e, em alguns casos, de uma cadeira de banho, pode reduzir muito o risco de acidente. Também a altura da cama e da sanita pode fazer a diferença. Uma cama demasiado baixa obriga a um esforço maior para se levantar, o que pode ser particularmente difícil após cirurgias ortopédicas ou em pessoas com fraqueza muscular.

 

Tenha em atenção a medicação

Uma das principais causas de complicações após a alta é a confusão com os medicamentos, uma vez que durante o internamento é comum alterarem-se os tratamentos habituais. Alguns medicamentos são suspensos, outros são iniciados e outros têm a dose modificada. Quando o doente regressa a casa, pode ainda ter embalagens antigas no armário e não saber quais deve manter, pelo que é frequente surgirem dúvidas. Por esse motivo, uma alta segura implica uma reconciliação da medicação. O paciente deve sair do hospital com uma lista clara de todos os medicamentos que deve tomar, a dose de cada um, o horário correto, a duração do tratamento e a indicação explícita do que foi alterado em relação ao que tomava antes do internamento. Idealmente, esta informação deve ser explicada verbalmente e entregue por escrito.

 

Prepare o cuidador

Muitos familiares recebem a pessoa em casa sem terem sido treinados para tarefas que podem ser exigentes. Mobilizar uma pessoa da cama para a cadeira, ajudar no banho, trocar um penso, administrar medicação ou reconhecer sinais de agravamento são competências que nem sempre são intuitivas. Uma alta segura pressupõe que o cuidador compreenda exatamente o que terá de fazer. Além disso, é importante avaliar se o cuidador tem condições reais para assumir esse papel. Trabalha durante o dia? Vive na mesma casa? Tem capacidade física para ajudar nas transferências? Existe mais alguém que possa partilhar os cuidados? Quando estas questões não são discutidas, aumenta o risco de sobrecarga do cuidador e de falhas na continuidade dos cuidados.

Nem todas as famílias conseguem assegurar sozinhas esse nível de acompanhamento. Nesses casos, o apoio domiciliário pode ser uma solução para garantir que o paciente continue a recuperar na segurança e no conforto da sua casa, acompanhado de profissionais preparados para responder às suas necessidades. Dependendo da situação clínica, o apoio pode incluir cuidados de higiene, ajuda na alimentação, administração da medicação, enfermagem, fisioterapia, acompanhamento diurno ou noturno e auxílio nas atividades da vida diária. O apoio domiciliário funciona como um complemento quando os familiares não conseguem estar presentes ou a complexidade dos cuidados exige apoio especializado. Além de contribuir para uma recuperação mais tranquila e confortável, reduz a sobrecarga física e emocional dos cuidadores e permite identificar precocemente qualquer alteração do estado de saúde, diminuindo o risco de complicações e de novos internamentos.

 

Esclareça o protocolo de alta antes de sair do hospital

O paciente deve sair do hospital com um plano de cuidados concreto, que inclua o diagnóstico e o motivo do internamento, os tratamentos realizados, a medicação atual, os cuidados que devem continuar em casa, as limitações temporárias (por exemplo, não conduzir, não fazer esforços ou não apoiar peso numa perna), as consultas de seguimento e os contactos a utilizar em caso de dúvida. Também devem ficar definidos os sinais de alerta, para que o paciente e a família saibam em que situações devem procurar ajuda médica. Dependendo da doença, estes sinais podem incluir febre, dificuldade em respirar, dor intensa, sangramento, confusão mental, incapacidade de comer ou beber, agravamento da fraqueza ou alterações na ferida cirúrgica. Identificar os sinais antecipadamente permite agir cedo, antes que o problema se torne uma urgência.

Com um bom planeamento, a pessoa e a sua família chegam a casa a saber exatamente o que fazer. A medicação está organizada, a casa foi adaptada, o cuidador sente-se mais confiante, as consultas já estão marcadas e todos sabem quais os sinais que exigem atenção médica. Assim, assegura-se menos quedas, evita-se erros na medicação e ansiedade para a família, garante-se uma recuperação mais rápida da autonomia e uma menor probabilidade de regressar às urgências ou de necessitar de um novo internamento.

Fonte: sapo.pt

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