Foi a 11 de Abril de 1755 que nasceu James Parkinson, o médico inglês que descreveu a doença a primeira vez em 1817. Este dia é uma iniciativa da Associação Europeia da Doença de Parkinson (EDPA – European Parkinson’s Disease Association).

A doença de Parkinson é uma doença neurológica degenerativa do sistema nervoso central, ainda sem cura, pautada pela destruição das células nervosas. Esta doença ataca cerca de 20 mil portugueses, de ambos os sexos, com uma ligeira preponderância para o sexo masculino. Estima-se que no mundo existam 10 milhões de doentes de Parkinson.

A Doença de Parkinson – O que é?
– Quadro Clínico
O quadro clínico não se inicia sempre da mesma maneira em todos os doentes. Em 70% dos casos a doença começa por tremor localizado geralmente a um membro superior e atinge depois o outro membro do mesmo lado. Este tremor pode ficar confinado a metade do corpo durante meses ou anos e só depois se estender ao outro lado. O tremor ocorre quando os membros estão em repouso e desaparece quando o doente executa movimentos, por exemplo, levar um copo à boca. Pode localizar-se a outras partes do corpo como a língua ou os lábios. É importante fazer distinção com o tremor essencial ou benigno que só aparece durante o movimento e não em repouso.

Sinais Cardinais:
1 – Rigidez
A rigidez é uma dificuldade de relaxação dos músculos. Pode atingir qualquer grupo muscular do tronco ou dos membros. Começa muitas vezes só num membro, pode variar ao longo do dia, pode ser influenciada pelo humor, pelo stress e por medicamentos.

2 – Acinésia
A acinésia (cinésia do grego kinesis, movimento) caracteriza-se por: atraso na iniciativa motora reflectindo um tempo de reacção prolongado, execução lenta de movimentos voluntários, dificuldade de alcançar o alvo com um simples e único movimento, fadiga rápida com a execução de movimentos repetidos, incapacidade para executar acções simultâneas (exemplo: o doente não pode abotoar um botão enquanto responde a uma pergunta) e incapacidade para executar acções sequenciais. Ainda outras manifestações de acinésia são o facies inexpressivo, a diminuição de volume de voz, o aumento excessivo de saliva ou ainda a micrografia (letra pequena e tremida). Os familiares descrevem os doentes como estando “parados”. Podemos dizer que há um defeito na génese dos processos cerebrais para a programação e execução do acto motor.

3 – Instabilidade
A instabilidade postural, ou melhor dizendo, o desequilíbrio, está mais vezes presente nos casos com maior tempo de evolução. É um desequilíbrio que se torna patente durante a marcha ou quando o doente muda de direcção. A instabilidade postural associada à alteração da marcha é usualmente o último dos sinais cardinais a aparecer; é das manifestações da doença a mais difícil de tratar e representa um traço de progressão. O doente adopta por uma postura encurvada uma vez que perde a capacidade de fazer rapidamente uma correcção da sua postura, a tendência é cair para diante ou para trás.

Os sinais que vimos a descrever são os cardinais, mas outras manifestações podem acompanhar o quadro. O sinal mais precoce de dificuldade na marcha é a diminuição do balanceio dos braços. Seguidamente o doente começará também a andar com passos curtos e irregulares. Há ainda um outro fenómeno designado por freezing que aparece em muitos doentes em fase avançada da doença. É uma hesitação no início da marcha, na tentativa de se virarem ou quando se aproximam de um espaço apertado, por exemplo, o limiar duma porta.

Fenómeno oposto ao freezing denomina-se de “cinésia paradoxal”, nestes casos, o doente, de forma súbita e inexplicável, consegue movimentar-se com uma grande facilidade mas por um curto espaço de tempo. Estes fenómenos, tanto o freezing como a “cinésia paradoxal”, são difíceis de compreender pelos familiares do doente porque admitem que estas variações motoras possam ser controladas pela vontade, o que não é o caso. Uma das questões que é frequentemente posta é se a capacidade mental do doente de parkinson está alterada. A doença não se caracteriza por diminuição da capacidade intelectual. Os doentes pensam devagar e respondem devagar mas as respostas estão certas. O pensamento é lento. Este fenómeno designa-se por bradifrenia.

4 – Sintomas
Quando o conjunto dos sintomas rigidez, tremor e bradicinésia está reunido e ainda se junta uma alteração da postura com inclinação da cabeça e do tronco para a frente e um caminhar com passos pequenos e arrastados, o diagnóstico é fácil de fazer mesmo por alguém não médico. Mas no inicio da doença nos casos em que esta começa por rigidez e bradicinésia sem tremor, o diagnóstico é mais difícil de colocar.

5 – Diagnóstico
O diagnóstico da DP é clínico, pois não há nenhuma análise laboratorial, qualquer exame radiológico ou outro que o possa revelar. Dizendo de outro modo não se encontrou ainda um marcador biológico da doença. Isto tem levado à necessidade de estabelecer critérios de diagnóstico clinico a que um quadro deve obedecer para se considerar uma DP. Alguns destes critérios foram discutidos e são seguidos pelos médicos que se dedicam à DP. São instrumentos de trabalho indispensáveis à prática clínica e também à investigação. Para o estabelecimento do grau de evolução da doença utilizam-se escalas de severidade que merecem consenso internacional.

6 – Peso na Saúde Pública
Importa conhecer o peso que a doença tem em termos de saúde pública. Em Portugal existem dois estudos epidemiológicos de prevalência que apontam para a existência aproximada de 20.000 doentes. A doença pode manifestar-se pela quinta ou sexta década da vida, e só excepcionalmente mais cedo. A sua incidência aumenta com a idade constituindo esta, só por si, um factor de risco. É previsível, portanto, que o número de doentes venha a aumentar à medida que aumenta a esperança de vida. Afecta ambos os sexos com ligeira preponderância para o sexo masculino.

7 – Terapêutica
Tem havido tentativas para encontrar substâncias químicas que impeçam a progressão da doença, dizendo de outro modo, “substâncias neuro protectoras”. Existe acessa controvérsia entre os vários grupos de investigadores acerca da capacidade duma substância designada selegilina. Esta substância para além de controlar os sintomas da doença protegeria as celúlas da substância nigra sobreviventes, impedindo-as da morte e a progressão da doença. Para além da terapêutica farmacológica ou cirúrgica outras medidas podem ajudar o doente de modo a torná-lo física e socialmente activo contribuindo para uma melhor qualidade de vida. O exercício físico adequado à doença deve ser feito diariamente com a ajuda da família se necessário.

Em Portugal existe a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk) que funciona em ligação com outras associações europeias congéneres e cujo papel é de fornecer ajuda aos doentes e familiares nomeadamente, esclarecendo-os sobre os modos de lidarem com a doença e os apoios disponíveis. É desejável que estas associações se tornem cada vez mais fortes, não para se substituírem às instituições governamentais da saúde e da segurança social mas para com elas colaborarem.

Fonte: Clique aqui.

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