Alucinações e delírios em pessoas com demência: causas, manifestações e tratamento
As pessoas com demência por vezes “vêem” e “ouvem” coisas (alucinações visuais e auditivas) e podem entrar em crises de ansiedade e pânico.
Um exemplo comum é o familiar doente acreditar que lhe roubaram dinheiro ou estão a tentar prejudicar.
Esses momentos também são causa de grande stresse para os cuidadores.

O que provoca as alucinações e os delírios?
A demência faz com que o paciente perca a capacidade de reconhecer coisas ou pessoas e as falhas de memória podem levar à suspeita, paranóia e equívocos.
É importante ter a noção que o paciente procura dar sentido ao ambiente onde vive com capacidades cognitivas cada vez mais reduzidas.
É compreensível que com a perda de memória de acontecimentos recentes (memória de curto prazo), a pessoa acredite que um seu objecto tenha sido roubado porque ele simplesmente não se lembra onde o colocou 5 minutos antes.
Além disso, a percepção errada da passagem do tempo pode resultar em confusão temporal de acontecimentos.

Factores modificáveis
Também existem factores modificáveis que podem estar a provocar esses sintomas no seu familiar, como por exemplo:
• Diminuição sensorial como deficiência visual ou problemas de audição;
• Efeitos secundários de alguns medicamentos;
• Doença psiquiátrica;
• Ambientes desconhecidos;
• Doenças e sintomas físicos, como infecções, febre, dôr, obstipação, anemia, doenças respiratórias, desnutrição, desidratação;
• Presença de pessoas desconhecidas;
• Não cumprimento de rotinas;
• Sobrecarga ou excesso de informação sensorial.

O que fazer quando um familiar tem alucinações e delírios?
Marcar uma consulta médica para despistar eventuais problemas físicos ou psiquiátricos e analisar efeitos da medicação.
O médico especialista pode prescrever medicamentos para ajudar a controlar os delírios e alucinações mas muitos dos medicamentos antipsicóticos têm efeitos secundários, tais como a rigidez, tremores ou sonolência.
Antes da prescrição de medicamentos é importante avaliar se os delírios e alucinações têm um impacto realmente negativo sobre a vida da pessoa e da sua família. Avaliar vantagens e desvantagens é muito importante neste tipo de situações.

Um psiquiatra disse uma vez que não prescrevia medicamentos antipsicóticos a um doente de Alzheimer que acreditava ser o chefe da residência e que se sentia a pessoa mais feliz da instituição quando era chamado de chefe.

Também se verificam casos opostos, em que pessoas com terríveis alucinações não recebem tratamento medicamentoso, porque supostamente “não se pode fazer nada, porque isso é demência.”

Além terapia medicamentosa há abordagens conservadoras, como por exemplo:
• Não discuta. Aceite que a pessoa doente esteja assustada e alterada com os delírios e alucinações;
• Não repreenda a pessoa por perder objectos ou esconder coisas;
• Verifique se há algum factor ambiental que possa estar a causar as alucinações e os delírios (sombras, reflexos de espelhos…);
• Tente corresponder aos sentimentos subjacentes que possam estar na causa dos sintomas. Se a pessoa se sente perseguida ou tem medo, faça-a sentir-se protegida. Um abraço pode ser uma excelente terapia;
• Em vez de discutir tente distrair a pessoa com música antiga (o que é memorizado emocionalmente perdura mesmo em fases avançadas de demência), exercícios, actividades, conversas, ou mostre-lhe fotografias antigas (a memória de longo prazo demora mais tempo a ser afectada). Às vezes, uma simples mudança de conversa pode ajudar;
• O contacto físico pode ser reconfortante, mas certifique-se se a pessoa está disposta a aceitar esta interacção;
• Tente manter uma atmosfera familiar. Se a pessoa tiver que mudar de residência, certifique-se que ela leva algumas coisas familiares da residência anterior;
• Tente manter constância nas rotinas e cuidados;
• Faça anotações num diário para ajudar a determinar se esses comportamentos ocorrem em momentos específicos do dia ou na presença de certos indivíduos. A identificação das causas pode ajudar a fazer mudanças para superar as dificuldades;
• Finalmente e talvez o mais importante: esteja ciente de que a pessoa não é capaz de controlar esses comportamentos.

Fonte: Clique aqui.

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